Há milhares de anos a humanidade desenvolve materiais para tratar, aumentar a eficiência ou substituir sistemas biológicos, fato viabilizado pela Biomimética, "área da ciência que tem por objetivo o estudo das estruturas biológicas e de suas funções, procurando aprender com a natureza e utilizar esses conhecimentos em diferentes domínios da ciência."
Por exemplo, existem relatos históricos que datam a utilização de suturas (ponto cirúrgico) há mais de 32 mil anos. Além disso, romanos, chineses e astecas utilizavam ouro para substituir dentes, globos de vidro para olhos, entre outros.
A partir da Revolução Industrial adquiriu-se um maior conhecimento nas áreas da Anatomina e Fisiologia, e assim, foi possível aprimorar técnicas e materiais mais eficientes no tratamento médico.
Abaixo seguem alguns fatos importantes que contribuíram no desenvolvimento desses materiais:
- Em 1844 Horace Wells introduziu a anestesia em cirurgias;
- Após a 2ª Guerra Mundial, médicos observaram em ex-combatentes feridos que alguns materiais de projéteis promoviam uma menor reação de corpo estranho.
- Em 1982, na Conferência do Instituto de Desenvolvimento de Consenso em Saúde foi definido que tais materiais desenvolvidos, a milhares de anos, para tratar, aumentar a eficiência ou substituir sistemas biológicos seriam biomateriais.
De acordo com esses fatos, a evolução dos biomateriais pode ser dividida em 4 (quatro) gerações:
1. Primeira geração
Marcado pelo empirismo, os biomateriais não eram desenvolvidos com preocupações estéticas e sim apenas pela sua funcionalidade e usabilidade. A maioria desses biomateriais era de origem natural.
Exemplos: uso de ouro e marfim na reposição de dentes, vidro para reposição do globo ocular, aço ou madeira para confecção de próteses de membros.
2. Segunda geração
Os biomateriais da segunda geração foram aqueles desenvolvidos a partir de materiais comuns, estruturais, porém com um maior conhecimento de engenharia, medicina e ciências dos materiais aplicadas.
Exemplos: ligas de titânio na ortopedia, lentes acrílicas, dracon para enxerto de vasos, teflon em próteses ortopédicas.
3. Terceira geração
A terceira geração ficou caracterizada pelo desenvolvimento de materiais com características específicas de acordo com a aplicação. Ou seja, esses materiais são bioengenheirados.
Exemplos: implantes teciduais que buscam regenerar o tecido (pele artificial, cartilagem para regeneração de articulações, estruturas tridimensionais de cerâmicas de fosfato de cálcio associadas às células, entre outros.
4. Quarta geração
A quarta geração emprega os conceitos de biomimética e engenharia de tecidos. O emprego do primeiro conceito se justifica pelo fato de a natureza já possuir em seu vasto acervo biológico de diferentes formas de adaptações às mais variadas necessidades. Essas adaptações que contribuem para o benefício das espécies podem ser analisadas pelo homem e aproveitadas nas mais variadas aplicações.
Como exemplo, podemos citar o desenvolvimento do velcro, que foi feito a partir da observação da alta capacidade de aderência das estruturas das sementes de uma espécie do gênero botânico arctium. Essa capacidade aderente foi adaptada ao uso humano permitindo que tecidos produzidos com a tecnologia desenvolvida a partir desta observação aderissem firmemente a outros tecidos.
Já a engenharia de tecidos é empregada na quarta geração para desenvolvimento de novos tecidos. Essa engenharia é utilizada para confecção de arcabouços biodegradáveis no formato do tecido desejado, onde se introduzem células que, em condições propícias, se multiplicam dentro deste arcabouço. Após certo tempo, estas células em conjunto assumem o formato do tecido desejado, que pode ser implantado no corpo de algum paciente.
Referências Bibliográficas:
Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/50140351/Biomateriais> Acesso em: 10 nov.
Slide-Aula 8 -Biomateriais
Nenhum comentário:
Postar um comentário